Dependência econômica impede que vítimas deixem parceiros violentos

Centenas de milhares de vítimas de violência doméstica na América Latina permanecem nos lugares onde sofrem maus tratos porque não têm opção de moradia, segundo o estudo de uma ONG com sede em Genebra, na Suíça, divulgado nesta sexta-feira.

O relatório do Centro pelo Direito à Moradia contra Despejos (Cohre), intitulado “Um Lugar no Mundo”, analisa a questão da violência contra a mulher no Brasil, na Argentina e na Colômbia.

Nesses países, diz o estudo, “a falta de acesso a uma moradia adequada, incluindo refúgios para mulheres que sofrem maus tratos, impede que as vítimas possam escapar de seus agressores”.

“A dependência econômica aparece como a primeira causa mencionada pelas mulheres dos três países como o principal obstáculo para romper uma relação violenta”, diz o estudo.

A organização de direitos humanos entrevistou dezenas de mulheres que já foram vítimas — ou continuam sendo — de violência doméstica em cada um desses três países analisados.

“A partir dessas entrevistas, surge claramente que o importante para essas mulheres é saber para onde poderão ir quando decidem romper o círculo da violência doméstica.”

FALTA DE MORADIA

Segundo a Cohre, “a falta de solução para o problema da moradia pode ser determinante para que elas decidam continuar ou não uma relação violenta”.

Muitas das mulheres vítimas afirmaram à ONG ter a alternativa de se mudar para a casa de um amigo ou parente logo após sofrerem uma agressão.

“Mas, com o passar do tempo, e se sentido incapazes de assegurar uma solução permanente ou mesmo de transição para o problema de moradia, essas mulheres, frequentemente, não têm outra saída a não ser voltar a viver com seu agressor”, diz o estudo.

O estudo afirma que, apesar de a maioria dos países da América Latina ter altíssimas taxas de violência doméstica, entre 30% e 60% das mulheres da região, dependendo do país, as políticas públicas “quase nunca” levam em conta a questão do direito à moradia das mulheres.

A ONG afirma que esse problema afeta sobretudo as mulheres pobres que vivem em comunidades carentes.

Muitas mulheres, principalmente as das classes desfavorecidas, realizam trabalhos em setores informais da economia ou se dedicam às atividades do lar (podendo fazer ambos) e ficam sujeitas à renda do companheiro.

DONAS DE CASA

No caso das mulheres entrevistadas pela Cohre, boa parte cuida apenas das tarefas do lar: 27% no Brasil e quase 25% na Argentina e na Colômbia. Muitas relataram que não trabalham a pedido dos maridos.

Elas também afirmaram viver mais episódios de violência em épocas de crises econômicas ou de aperto no orçamento, quando são tratadas como “inúteis, gastadoras e más administradoras do dinheiro”.

No Brasil, os números da violência doméstica compilados por organizações internacionais não são recentes.

Uma mulher em cada quatro já foi vítima de agressões por seu marido ou companheiro, segundo o informe nacional brasileiro ao Comitê para a Eliminação para a Discriminação contra as Mulheres (Cedaw, na sigla em inglês), que corresponde ao período de 2001 a 2005.

Por isso as mulheres devem conquistar sua liberdade e independência financeira, principalmente em um país machista como o Brasil e diversos outros latino-americanos. Qualquer um que está em um emprego degradante ou com um ambiente de trabalho péssimo mas não pode sair por medo de não encontrar outro sabe como é depender de algo ruim para si mesmo para o sustento.

Espero um dia ver o sonho da mulher brasileira de casar na igreja e ter filhos se transformar no sonho de ser dona do próprio nariz, com ou sem um parceiro. E o único caminho para isso se concretizar é a educação, financeira e acadêmica.

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