Denunciar igreja é tormenta – especialmente para os coroinhas

Quando decidiu denunciar o abuso sexual que diz ter sofrido durante três anos, um ex-coroinha de Brasília pensava na “libertação”. Encontrou no gesto, segundo disse, a maior “tormenta” de sua vida.

“Hoje pensaria muito antes de denunciar. Todos se voltaram contra mim, inclusive a Igreja”, conta o jovem, que delatou à Justiça ter sido molestado sexualmente, entre os 14 e 17 anos, pelo padre Wilson Santos Pereira, vigário da paróquia de Ceilândia, cidade-satélite do Distrito Federal.

Sem o apoio da Igreja, que não investigou o caso, o ex-coroinha acabou expulso de um grupo de jovens católico de que participava e foi acusado pelos fiéis de tramar uma “armação”.

A relação entre o padre e o jovem foi investigada pela Polícia Civil e o vigário acabou denunciado pelo Ministério Público, no ano passado, por corrupção de menores. Mas o religioso, que continua à frente da paróquia, foi beneficiado por mudança em lei que alterou a idade limite do delito.

“Nunca mais entro em uma igreja”, diz o ex-coroinha, que pediu para não ser identificado. “A Igreja Católica é uma farsa. Para mim acabou. Não aguento mais nem ouvir a palavra ‘padre’.”

Praticamente criado dentro da Igreja, que frequentava desde os oito anos, o hoje estudante de administração e geografia contou que o assédio do padre começou quando ele tinha 14 anos. “Ele me chamava para ir em sua casa. Pedia para eu mostrar o meu órgão e ficava fazendo comentários: ‘nossa, você deve se masturbar muito com essas veias grossas’.”

Em uma noite, o ex-assistente diz ter sido ameaçado. “O padre disse que, se eu contasse sobre nós, me mataria.” Posteriormente, o jovem gravou uma conversa em que o padre reconhece estar errado e pede perdão. O Ministério Público pediu que Wilson cedesse uma gravação de sua voz para a perícia, o que foi recusado.

“Após nos afastarmos, ele começou a fazer com outros meninos o mesmo que fez comigo. Uma pessoa arrependida não faz isso. Depois ele tentou comigo de novo. Aí decidi denunciar”, afirma o jovem.

Será que ele esperava que uma instituição que escravizava índios, é contra aborto em caso de estupro e é contra o uso de camisinha com tantos casos de AIDS no mundo porque é contra seus princípios de séculos, senão milênios, fosse admitir que um padre está errada?

Realmente, coroinhas são uns “muleques ingênuos” mesmo…

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